A Solana promete 65 mil transações por segundo — mas à custa de algumas concessões. Porque é que os desenvolvedores estão a apostar nisso e o que isso significa para si?
Imagine uma cidade onde os semáforos piscam cem vezes por segundo, os comboios passam a cada três segundos e a correspondência é entregue mais depressa do que consegue assinar uma carta. Esta é a Solana. Uma blockchain criada não para ser "outro Ethereum", mas para levar as aplicações descentralizadas do laboratório para o mundo real, onde os utilizadores não toleram atrasos.
O Ethereum é fiável, mas lento. As transações são caras, os jogos crasham e a venda de NFTs sobrecarrega as carteiras. A Solana tem uma resposta diferente: a escalabilidade está integrada na sua arquitetura. Graças ao mecanismo exclusivo de Prova de Histórico — um registo de data e hora incorporado na blockchain — a rede atinge velocidades incomparáveis. As taxas são inferiores a um cêntimo e as confirmações são obtidas em segundos.
A Solana combina diversas tecnologias:
- Prova de Participação (por segurança),
- Prova de Histórico (para sincronização de tempo sem votação),
- Modo turbo de GPU e servidores de alto desempenho (os validadores são executados em hardware potente).
Isto permite o processamento de dezenas de milhares de transações por segundo. Mas há um preço: os requisitos de hardware são elevados e nem todos se podem tornar validadores. Isto torna a rede rápida, mas menos descentralizada do que o ideal.
A Solana tornou-se o lar de:
- Projetos NFT, onde a listagem e a compra instantâneas são essenciais (Mad Lads, Tensorians),
- Moedas meme, onde a velocidade é fundamental (WIF, BONK),
- Aplicações DeFi, onde a liquidez circula em minutos (Jupiter, Raydium),
- Carteiras móveis integradas em telemóveis (Phantom, Backpack).
É especialmente popular entre a geração mais jovem, para quem "blockchain lento" é um paradoxo.
A principal crítica à Solana é a sua vulnerabilidade a falhas. Por diversas vezes, a rede caiu durante horas devido a sobrecarga ou bugs. A razão é a sua elevada centralização: um pequeno número de validadores poderosos, geralmente geridos por instituições. É uma escolha difícil: escalabilidade versus resiliência. A Solana opta pela primeira — e espera encontrar um equilíbrio ao longo do tempo.
A Solana não fala em "liberdade bancária" ou "ouro digital". Ela diz: "O mundo quer aplicações rápidas — dê-lhes essas aplicações." Esta é a abordagem de um engenheiro, não de um revolucionário. E aí reside tanto a sua força como a sua fraqueza. Ela não discute com o Ethereum. Simplesmente oferece uma realidade alternativa, onde o recurso mais importante é o tempo, e não a ideologia.
Usar Solana significa acreditar que o futuro pertence a aplicações que não te fazem esperar. Mas isso também significa aceitar que essa velocidade exige confiança na arquitetura e nos seus criadores. Não há aqui ilusões: a descentralização não é um fim, mas um meio. E o fim é a adoção em massa.
Atualizado 02.01.2026
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