O primeiro NFT surgiu em 2014, mas o mundo só deu por ele em 2021. O que mudou — e porque é que alguns objetos digitais se mantiveram valiosos mesmo depois de a euforia inicial ter passado?
Em maio de 2014, o programador Kevin McKay registou uma imagem animada chamada "Quantum" na blockchain. Não lhe chamou NFT — o termo ainda não existia. Ele escreveu simplesmente: "Isto é meu".
Sete anos depois, em março de 2021, um artista apelidado de Beeple vendeu uma colagem de 5.000 obras na Christie’s por 69 milhões de dólares. De repente, o mundo inteiro estava a falar de objetos digitais que não se podem tocar, mas pelos quais são pagos como obras-primas.
Mas a essência de um NFT não é ser uma "imagem", mas sim que o seu proprietário seja conhecido por todos. É como uma assinatura num ecrã, só que pública, inegável e funciona em qualquer aplicação. Não se tratam de artigos colecionáveis, mas sim de propriedade.
Muitos enganaram-se ao pensar nas NFTs como "selos digitais". Na verdade, o seu poder reside no seu significado social. Ser proprietário de um NFT em 2017 era como usar uma t-shirt da primeira vaga da internet: dizia muito sobre quem eras e quando surgiste.
Mais tarde, surgiu uma utilidade:
- Na Sorare, as NFTs são licenças para jogadores de futebol virtuais, concedendo o direito de participar em ligas.
- Na Ticketmaster, bilhetes que não podem ser revendidos acima do valor facial.
- No jogo Illuvium, personagens com características únicas que influenciam a jogabilidade.
- Na DAO, direitos de voto.
Aqui, os NFTs não são para exibição numa galeria, mas para ação.
Quando o entusiasmo de 2021-2022 diminuiu, milhares de coleções desapareceram. Mas as construídas com base na comunidade ou na função mantiveram-se.
- Art Blocks — arte generativa, onde cada algoritmo cria obras únicas.
- Domínios ENS (ex.: alex.eth) — não apenas um nome, mas um login e carteira universais.
- POAP — crachás digitais para participação em eventos, desde conferências a protestos.
Estes projetos não vendem "raridades". Vendem contexto.
Os NFT ainda enfrentam desafios:
- As imagens são normalmente armazenadas em servidores centralizados (se a Amazon falhar, a "imagem" desaparece).
- Os direitos de utilização comercial nem sempre são claros.
- Muitas plataformas estão centralizadas: podem bloquear o acesso.
- E, mais importante, as expectativas: quando os NFT se tornam um instrumento financeiro, perdem o seu poder cultural.
Hoje, os NFT já não são chamados apenas de NFT. Eles estão a tornar-se:
- bilhetes para concertos,
- diplomas educacionais,
- chaves para comunidades privadas,
- licenças de software ou de música.
O futuro desta tecnologia não está em ser "tokens únicos", mas sim em integrar-se no quotidiano, como os e-mails ou os códigos QR. E quando isso acontecer, ninguém perguntará "O que é este NFT?", porque será simplesmente algo digital que é verdadeiramente seu.
Os NFT demonstraram que, no mundo digital, o que importa não é se algo pode ser copiado, mas sim quem está associado a isso.
E se um dia o seu diploma, entrada ou até o seu voto numa eleição for confirmado por um token semelhante, recordará não a euforia, mas o momento em que o digital se tornou real.
Atualizado 03.01.2026
A primeira DAO surgiu em 2016 e durou três meses. Mas a ideia sobreviveu. Como grupos de pessoas gerem agora milhões — sem um escritório, uma equipa ou um único líder.
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